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Jornalista, escritor, editor e consultor cultural.

Na Cultura todo investimento é lucro

 




Marcelo Câmara: cachaçólogo erudito e abstêmio

Após mais de meio século de pingofilia militante, Marcelo Câmara, em agosto de 2007, encerrou a sua carreira como bebedor de pinga e degustador profissional de cachaças. Nessa data, ele deixou de beber. Álcool. Cachaça e qualquer outra bebida alcoólica. Balas de rum, bombos com licor e mamão papaya com crème de cassis - são casos a pensar. Foi uma decisão eminentemente existencial, de mudança de estilo de vida, de hábitos, inclusive alimentares. Nenhuma exigência da saúde ou recomendação médica.

Mas Marcelo Câmara continua cachaçólogo: estudando, pesquisando, pensando, criticando, prestando consultorias, fazendo análise sensorial, falando e escrevendo sobre cachaça.

Quando Marcelo tinha seis anos de idade, provou a primeira dose de cachaça, oferecida por seu pai. Durante todo esse tempo, bebeu. Bem e muito. Responsável e prazerosamente. Estudou, pensou, criticou, escreveu e publicou sobre o destilado brasileiro.

Ele foi o primeiro degustador da bebida a se profissionalizar no mundo. Isto aconteceu no início da década de 1990.

Até agosto de 2007, Marcelo Câmara divulgava regularmente Rankings de Cachaças neste site. Tais rankings, por ele construídos, eram atualizados no primeiro dia de cada mês, de acordo com a avaliação do cachaçólogo, pingófilo e degustador, relativamente à excelência sensorial - cor/aparência, aroma e sabor - das cachaças (novas e descansadas) e das cachaças envelhecidas, artesanais, cuja produção era legal, fiscalizada e regular, e suas marcas estavam ativas, registradas nos órgãos oficiais competentes.

O pingófilo Marcelo Câmara e o degustador Marcelo Câmara se aposentaram em agosto de 2007. Até então Marcelo dirigiu sessões de degustação e fez análises sensoriais integrais, com ou sem laudos, para fabricantes de cachaça de todo o País. Ele continua a se pronunciar sobre aspectos sensoriais de cachaças, sobre marcas que ele não degustara até aquela data. Explicando melhor: Marcelo Câmara prossegue fazendo análises sensoriais e se pronunciando sobre aspectos sensoriais, organolépticos, de cachaças que lhe são apresentadas depois que ele parou de beber. Atualmente, ele julga se uma pinga tem ou não excelência ou qualidade superior, se é mediana ou se é ruim, apenas e relativamente às avaliações visual (cor e aparência) e olfativa (aroma), pois se tornou um abstêmio. Quanto à avaliação gustativa (sabor) de cachaças "inéditas", Marcelo Câmara, hoje, infere, deduz, conclui, julga, como resultado ou em consequência das avaliações visual e olfativa que ele efetivamente faz e calçado em sua larga experiência e rica memória sensorial construída em mais de meio século de pingofilia e degustação.

Marcelo Câmara prossegue, erudito e abstêmio, na sua carreira profissional de cachaçólogo (pesquisador, estudioso), produzindo textos - ensaios, crônicas, artigos, pareceres etc. - acerca do universo da cachaça, prestando consultorias diversas, atendendo à mídia, a estudantes de todos os níveis, a mestrandos e doutorandos que desenvolvem estudos e teses pertinentes, a qualquer pessoa, empresa, governo ou instituição interessada em conhecer e dialogar sobre a bebida brasileira.

O maior especialista e consultor de gim da Inglaterra, o mais respeitado pelas destilarias daquele país, não bebe. É abstêmio. Informações dão conta de que ele bebeu gin durante décadas e, atualmente, mesmo na condição de abstêmio, continua sendo o mais procurado, sendo contratado para opinar e julgar a excelência das aguardentes do zimbro. Seu julgamento é resultado das avaliações visual e olfativa das marcas, bem como da sua experiência gustativa e invejável cultura sobre a bebida européia.

Cachaças
(novas - frescas e descansadas)

1º lugar – Coqueiro (tipos: Tradicional, Azulada e Prata), de Paraty, RJ
2º lugar – Corisco (Branca), de Paraty, RJ
3º lugar – Samanaú, de Caicó, RN
4º lugar – Aroeirinha, de Porto Firme, MG
5º lugar – Serra Limpa, de Duas Estradas, PB
6º lugar – Triumpho, de Triunfo, PE


Cachaças Envelhecidas
(incluindo as premium, extra-premium e reserva especial)

1º lugar – Coqueiro (tipos: Envelhecida e Ouro), de Paraty, RJ
2º lugar – Corisco (Envelhecida), de Paraty, RJ
3º lugar – Samanaú (Envelhecida), de Caicó, RN
4º lugar – Velha Aroeira, de Porto Firme, MG
5º lugar – SalvaGerais (tipos: Prata, Ouro e Diamante), de João Pinheiro, MG
6º lugar – Tabaroa, de Bichinho, MG
7º lugar – Biquinha, de Coronel Murta, MG






Receita

Caipirinha

A única e a verdadeira.
O autêntico drinque brasileiro.

Ingredientes

1 limão de casca fina grande
ou dois pequenos
açúcar
duas doses de cachaça artesanal
de qualidade superior, branca, nova e fresca
gelo picado ou em pequenos cubos

Modo de fazer (dose mínima)

Retire as pontas do limão. Corte o limão em rodelas ou em várias partes, a partir das quatro obtidas com o corte em “x” do limão em pé. Em uma vasilha pequena ou copo grosso, coloque um pouco de cachaça, amasse as rodelas ou os pedaços de limão com um soquete de madeira para extrair o suco e o sumo da casca do limão. Despeje tudo no copono qual será servida a Caipirinha, complete com cachaça, acrescente açúcar a gosto ou mel ou adoçante e complete com gelo. Decore o copo com uma fatia de limão cravada na sua borda.

Saúde! Viva o Brasil! Viva o Povo Brasileiro!

Receita do cachaçólogo, pingófilo e degustador Marcelo Câmara, que adverte:

– Qualquer outro drinque feito sem qualquer um destes ingredientes, ou não preparado rigorosamente deste modo, não pode ser chamado de CAIPIRINHA. Se for usado outro destilado ou fermentado ou outra fruta qualquer, não é CAIPIRINHA, nem pode ter um nome que se inicie com a raiz “CAIPI”. Portanto, caipirosca, caipirinha de vodca, caipirinha de gim, caipiríssima, caipirinha de rum, caipirinha de tequila, caipirinha de saquê, caipirinha de vinho branco são denominações impróprias, barbaridades, aberrações e constituem agressões à Cultura Brasileira. Seria o mesmo que imaginar uma feijoada sem feijão, uma pizza sem massa, um cuba-libre sem rum, um uísque sauer sem uísque etc.

O decreto nº 4.851, de 2.10.2003 define:
Caipirinha é a bebida típica brasileira,
com graduação alcoólica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte
graus Celsius, obtida exclusivamente com Cachaça, acrescida de limão e açúcar
(Art. 1º, § 4º).



Recipe

Caipirinha

The one and only.
An authentic Brazilian drink.

Ingredients

a large lime with thin peel
or two small limes
sugar
two shots of non-industrially produced cachaça
of superior quality, white, new and fresh
chopped ice or small ice cubes

Method (small dose)

Remove the ends of the lime. Cut the lime into round slices or into many parts or, standing the lime upright, cut an “X” through it to obtain four parts. Put a little of the cachaça in a small container or thick glass. Crush the slices or pieces of lime with a wooden pestle to extract the juice from the fruit and peel. Put everything in the glass which you will use to serve the Caipirinha. Add the rest of the cachaça. Add sugar, honey or sweetener to taste and complete with ice. Decorate the glass with a slice of lime on the rim.

Cheers! Long live Brazil! Long live the Brazilian people!

Recipe by the cachaçólogo, pingófilo and taster Marcelo Câmara, who warns:
– Any other drink that is made without using all of the above ingredients or is not prepared rigorously in this way, cannot be called CAIPIRINHA. If any other distilled or fermented spirit or any other fruit is used, it is not CAIPIRINHA, and should not have a name that starts with the root “CAIPI”. Therefore, the terms
caipirosca, caipirinha de vodka (using vodka), caipirinha de gim (using gin), caipiríssima, caipirinha de rum (using rum), caipirinha de tequila (using tequila), caipirinha de saquê (using sake), caipirinha de vinho branco (using white wine) are not appropriate; they are aberrations and disrespectful to Brazilian culture. It would be the same as having a pizza without the base, a Whiskey Sour without the whiskey and so on.

Decree no. 4.851, of 02.10.2003 defines:
Caipirinha is a typical Brazilian drink, with an alcohol level of 15% to 36% in volume at 20º Celsius, obtained exclusively from Cachaça, with lime and sugar added.
(1st Article, 4th paragraph)

Do livro Cachaças bebendo e aprendendo – Guia prático de degustação /
drinking and learning – Practical guide to tasting, de Marcelo Câmara (Mauad)



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